O Livro
- Título: O Mundo é Plano
- Conteúdo: Uma análise do mundo globalizado no século XXI.
- Autor: Thomas Friedman
- Editora: Objetiva
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Por que a Tribo Recomenda
Minha história com esse livro é complicada. Ouvi falar nele pela primeira vez em 2005, logo após a sua publicação, mas acabei só comprando um exemplar em 2006, ainda no aeroporto, a caminho de uma viagem para a Alemanha. Só que perdi o livro no avião, e só acabei comprando ele novamente em 2007, quando finalmente o li. A persistência valeu à pena. "O Mundo é Plano" é leitura obrigatória para quem, como eu, é fascinado pela nova ordem das coisas na virada do século XXI.
Thomas Friedman é um jornalista que durante muitos anos dedicou-se ao tema da globalização. Nesse livro, ele analisa com grande profundidade a conjuntura atual do planeta, justificando porque, na opinião dele, o mundo agora é plano. Obviamente, ele usa esse termo para descrever o que temos vivenciado no dia-a-dia: o mundo parece cada vez menor, dadas as facilidades que temos para acessar recursos e pessoas que a pouco tempo atrás pareceriam inatingíveis. Friedman cobre basicamente as causas desse fenômeno, seus efeitos, e o que podemos esperar do futuro.
Como o Mundo Tornou-se Plano
Friedman começa o livro traçando um histórico da globalização. A primeira onda de globalização considerada por ele teria iniciado com as grandes navegações, tal como a aventura de Cristóvão Colombo em 1492. As nações do velho mundo buscando novos territórios para incrementar suas riquezas naturais. A segunda onda de globalização seria a expansão das companhias multinacionais, ocorrida entre 1800 e 2000. As empresas buscando novos mercados e novas forças de trabalho. E a terceira onda seria a que estamos vivendo agora, na virada do século. Essa terceira globalização estaria ocorrendo no nível dos indivíduos, que cada vez mais colaboram ou competem em igual nível com qualquer outro indivíduo no planeta.
Nesse sentido, Friedman tenta identificar as 10 forças causadoras da 3a globalização, ou as forças que fizeram o mundo "ficar plano". Seriam elas:
1 - A queda do muro de Berlim e o surgimento do Windows - Em 1989, com a queda do muro de Berlim, vimos uma série de economias passando a ser governadas de baixo para cima. Seja pela instituição de um regime democrático, como no leste europeu, seja pela abertura de mercado em países como Índia e Brasil, profundas mudanças políticas e econômicas sucederam-se ao redor do planeta. Quase ao mesmo tempo, em 1990, era lançado o Windows 3.0, que viria a ser o passo mais pragmático na direção da popularização do PC.
2 - Internet e WWW - Em meados da década de 90, com a popularização da Internet e o surgimento do browser e da World Wide Web, o ser-humano deu uma prova aos analistas mais conservadores de que os hábitos podem mudar rapidamente e drasticamente em função da tecnologia, desde que haja um apelo para isso. E o apelo era conectar-se com outras pessoas, uma necessidade natural de qualquer um de nós. O que sucedeu essas transformações foi o "boom" da Internet e o estouro da bolha ".com", que teve um lado profundamente positivo: o investimento em massa aplicado em infraestrutura (fibra-óptica, etc) fez os custos de comunicação ao redor do planeta cair para quase zero.
3 - Software e Workflow - Com o advento da Internet e do e-mail, as empresas mudaram totalmente a maneira como funcionavam. Formulários em papel, protocolos, faxes entre departamentos, tudo foi sendo substituído por e-mail e colaboração baseada em software. Várias camadas de software foram sendo desenvolvidas e as empresas tornaram-se capazes de colaborar entre si em tempo real.
4 - "Uploading" - Com o tempo, o foco da Internet moveu-se de um lugar onde as pessoas vão para buscar informações, para um lugar onde as pessoas vão para prover informações. Comunidades, opensource software, blogs, Wikipedia, o público da Internet hoje é muito mais um participante ativo do que um mero espectador.
5 - "Outsourcing" - A Índia é o maior exemplo desse fenômeno. Tudo começou anos atrás com políticas educacionais rígidas que ajudaram a criar vários centros técnicos e universitários de excelência, formando enormes quantidades de trabalhadores qualificados. Depois veio o massivo investimento em infraestrutura decorrente do "boom" da Internet, que fez com que trabalhar em Bangalore fosse quase o mesmo que trabalhar em San Jose, na California. Ao mesmo tempo, o "bug do milênio" levou várias empresas do mundo todo a usar a mão de obra barata indiana para trabalhos de TI repetitivos. E o resto é história, os indianos foram muito hábeis em usar essas oportunidades para abocanhar uma enorme fatia do mercado do outsourcing mundial, ficando inclusive com boa parte do "filé". Vários outros países seguiram a mesma linha.
6 - "Offshoring" - Enquanto no "outsourcing" você quebra o seu processo de negócio em partes e terceiriza o que não é seu foco, no "offshoring" você move seu negócio inteiro (como uma fábrica) para outro país onde as condições econômicas sejam mais favoráveis (mão-de-obra, impostos, matéria-prima, etc). A China, ao associar-se à Organização Mundial do Comércio em 2001 tornou-se o principal destino de "offshoring" no planeta, mudando completamente a realidade existente até então.
7 - "Supply-chaining" - Muitas empresas perceberam nos últimos anos que construir produtos pode não ser um diferencial tão grande (a China e a engenharia reversa de produtos sofisticados como chips eletrônicos provaram isso). Entretanto, criar e gerenciar um processo que "entrega coisas", envolvendo dezenas de fornecedores, distribuidores, operadores, etc, é difícil e não tão facilmente duplicável. Companhias como o Wal-Mart não produzem nada, e ainda assim, por possuírem cadeias de suprimento tão efetivas acabam gerando um valor fabuloso para o consumidor.
8 - "Insourcing" - Empresas como a UPS especializaram-se em desenhar e gerenciar cadeias de suprimento para outras empresas. Grandes companhias como Nike e Toshiba já optaram por focar-se em seus negócios e deixar outras empresas gerenciar o fluxo de seus produtos das fábricas para os armazéns, e para o consumidor. Mas pequenas empresas também passaram a se beneficiar desse tipo de negócio (nunca antes uma empresa de calçados do interior do Brasil poderia ter uma cadeia de suprimento tão eficiente como a da Nike; hoje em dia ela pode).
9 - "In-forming" - Friedman cunhou esse termo para descrever a habilidade que as pessoas têm hoje em dia de criar suas próprias "cadeias de suprimento". Devido ao volume de informações disponível na Web, e devido à facilidade em encontrar esse conteúdo, as pessoas hoje em dia tornaram-se autônomas para definir como, quando e onde seu conhecimento pode ser importante.
10 - Os "Esteróides" - Friedman cunhou esse termo para descrever algumas tecnologias surgidas ou profundamente melhoradas nos últimos anos, as quais ajudaram a catalisar todas as 9 forças anteriores identificadas por ele. Seriam elas: wireless, video-conferência, VoIP, IM / file sharing, computação gráfica, storage e poder computacional.
O Mundo é Plano, e daí?
Após analisar em profundidade as causas que teriam feito o mundo "ficar plano", Friedman faz uma avaliação do contexto atual das nações e das empresas sobre o prisma da globalização. Ele reflete com bastante critério como a globalização impactou e ainda pode impactar os Estados Unidos em particular, e países emergentes. A análise da realidade americana é muito honesta, fala um pouco de coisas mencionadas pelo Dr. Zambol em um post sobre arrogância.
Porém, o exercício mais interessante que ele faz nessa segunda parte do livro é sobre os perfis profissionais necessários nessa realidade e como as empresas devem se comportar no contexto dessa nova globalização. Entre os vários perfis descritos por ele estão alguns que já percebo as empresas procurando, tal como o "colaborador", profissional que possui grande habilidade para tarefas colaborativas; ou o "orquestrador", profissional que não é especialista nem generalista, mas uma soma ponderada das duas coisas, sendo capaz de trabalhar em profundidade com um processo específico, mas igualmente capaz de aprender e coordenar esforços colaborativos em áreas as quais inicialmente não domina. Quanto ao comportamento esperado das empresas, ele menciona a necessidade de estar sempre preparada para mudanças e as novas características das hierarquias, nas quais os profissionais, tendo muito mais informações à disposição, podem ser mais autônomos e executar tarefas cada vez mais estratégicas.
Enfim, por incrível que pareça, dada a velocidade com que novas e fundamentais ferramentas surgem nos dias de hoje, "O Mundo é Plano" já está defasado em muitos casos. Muitas das empresas e cases que ele descreve no livro já não são mais referência. Independente disso, as premissas levantadas por Friedman são muito sólidas, e as principais transformações que moldaram esse mundo que vivemos hoje (e que nos parece tão natural) são muito bem documentadas por ele. Trata-se de um excelente framework para entender a situação que nos encontramos hoje e tentar vislumbrar o que vem pela frente.
Enfim, nos faz lembrar por alguns instantes que escrever uma revisão de livro em um "diário" (blog) sendo acessado por milhares de pessoas mensalmente seria impensável a 10 anos atrás. São as maravilhas da tecnologia e da globalização!!
Boa leitura,
Reggie, the Engineer.
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O Mundo é Plano
Quinta-feira, 28 de Fevereiro de 2008
Jack Definitivo
Quarta-feira, 13 de Fevereiro de 2008
- Título: Jack Definitivo - Conteúdo: A Biografia de Jack Welch, ex-CEO da GE e um dos executivos mais influentes dos últimos anos. - Autores:Jack Welch e John A. Byrne - Editora: Campus Links Relacionados - Compre Jack Definitivo na Livraria Cultura - Site da Cultura (comprando qualquer produto através desse link, você estará ajudando a Tribo do Mouse a manter seu site de revisões e suas crônicas) - Jack Welch na Wikipedia (em inglês ) Seção “Tribo Recomenda” Antes de entrar na revisão do livro em si, gostaria de lembrar o leitor que, se o interesse bater e quiser comprar o livro, use nossos links. Ganharemos uma porcentagem da compra (embora o preço final para você seja o mesmo) e, mais importante, visibilidade da Livraria Cultura. Para você não custa nada – basta apenas iniciar a compra pelos links acima. Para nós, significa muita coisa – você estará ajudando-nos a manter esse site vivo – com muitas revisões de livros bons que você pode usar no seu dia-a-dia e muito conteúdo para ler na Tribo do Mouse. Porque a Tribo Recomenda A capa do livro já define bem, quando se refere a Jack Welch como Tiger Woods do mundo dos negócios. Mesmo sem entender muito de Golf, tomo a ousadia de traduzir para para a cultura nacional como “O Pelé do Mundo Corporativo”. O fato é que um estilo único, aliado a resultados fantásticos colocam Jack Welch como uma das pessoas mais influentes dos últimos anos no mundo dos negócios, sendo citado frequentemente ao lado de nomes como de Peter Drucker e Warren Buffet. Em 1999, Welch foi eleito pela Fortune o "Executivo do Século", pois durante a sua gestão à frente da GE ele conseguiu elevar o valor de mercado da companhia em $500 bilhões. Como se isso não fosse suficiente, Jack chegou a esses resultados com o uso de estratégias inovadoras, um estilo forte de liderança e uma paixão quase obsessiva pelo desenvolvimento de talentos. Por tudo isso a biografia de Jack Welch é literatura obrigatória para aqueles que exercem ou almejam posições de liderança, bem como para qualquer pessoa que trabalha em uma grande corporação, uma vez que muitas das práticas difundidas por Welch tornaram-se padrão nas empresas de hoje em dia. Os Primeiros Anos Jack Welch graduou-se em Engenfharia Química, área na qual fez o seu Mestrado e Doutorado. Chegou a considerar a carreira acadêmica, para finalmente optar por uma posição como Engenheiro Jr. na GE em 1960. Dos primeiros anos, chama atenção uma passagem que eu cito no post Expecto Patronus. Welch literalmente explodiu a caldeira de uma fábrica, pilotando o processo para elaboração de um novo polímero. Por sorte ninguém se feriu gravemente. Quando foi chamado na diretoria se surpreendeu com o comportamento dos chefes. Não estavam felizes com o resultado, é claro, mas compreenderam que ele, mais do que ninguém, se sentia responsável pelo acidente e tomaria as providências para que isso não voltasse a acontecer. Tornando-se CEO Não demorou muito para Jack descobrisse a sua aptidão natural para Gestão. Ao longo dos próximos anos, Jack foi galgando posições de liderança na empresa, ganhando cada vez mais desafios a medida que entregava resultados surpreendentes. Com seu estilo direto e a aversão a burocracia, ele começou a gerenciar com uma autonomia fantástica algumas divisões da empresa, com uma paixão de quem está gerenciando seu próprio negócio. Como resultado, em 1972, apenas doze anos depois de iniciar na GE, Jack se tornava Vice-Presidente. Com isso, ele finalmente entrou no radar do processo de sucessão para CEO, cargo que alcançou nove anos depois em 1981, tornando-se o mais novo CEO à frente da GE. Desafios da Empresa Nos primeiros anos como CEO, Jack recebeu o apelido de Neutron Jack, porque não teve pudores de fechar inúmera divisões e fábricas que não eram produtivas ou não estavam alinhadas com a sua estratégia. Entre 1980 e 1985, a GE cortou aproximadamente 200 mil posições, o resultado foi uma companhia mais sadia financeiramente com um valor de mercado muito maior. Ainda durante os primeiros anos Jack encontrou uma GE fragmentada, onde as diversas áreas muitas vezes competiam por negócios, ao invés de trabalharem em conjunto. Sua estratégia de “Sem Fronteiras”, facilitou a implantação de boas idéias na empresa, fazendo com que uma boa prática não ficasse restrita a apenas um departamento. Desenvolvimento de Pessoas Uma das grandes paixões de Jack Welch foi o desenvolvimento de talentos. Sob a sua tutela a GE começou a aplicar ciclos anuais de avaliação de desempenho. Ao longo de vários encontros no ano, todos os funcionários da empresa eram avaliados segundo indicadores de desempenho. O resultado era algo fundamental à estratégia de crescimento da GE: “diferenciação”. De acordo com esse conceito, os melhores funcionários recebiam as promoções, os maiores aumentos e os pacotes de ações. Aos piores colocados, restava a “promoção ao mercado”. Jack era extremamente rígido quanto a esse processo, tipicamente 10% dos funcionários pior rankeados acabavam demitidos. Uma situação que ilustra muito bem esse jeito de pensar e seu estilo direto é quando ele encontra um dos seus executivos, um amigo pessoal, em uma festa de fim de ano e dispara: - Gosto muito de você, mas você teve um ano péssimo na empresa. Mais um resultado como esse e eu te demito. Estratégias A Sucessão O processo para escolha de seu sucessor durou seis anos, inciando em 1994 e concluindo no final de 2001 quando Jack Welch deixou a GE para se aposentar. Esse longo período deve-se muito mais pela forte ênfase dada por Welch para o desenvolvimento de talentos humanos, do que por uma simples dificuldade para se encontrar um sucessor altura. Durante esse tempo Jack inciou com cerca de 180 candidatos, para ao longo dos anos ir refinando a lista, criando oportunidades e trabalhando mais próximo dos candidatos mais promissores. Comentários Finais: []s Jack DelaVega
Blink: A Decisão Num Piscar de Olhos
Quarta-feira, 30 de Janeiro de 2008
O Livro
- Título: Blink: A Decisão Num Piscar de Olhos
- Autor: Malcolm Gladwell (autor de O Ponto de Desequilíbrio)
- Editora: Rocco
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- Blink na Wikiepedia
- WebSite do Autor Malcolm Gladwell
Seção “Tribo Recomenda”
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Revisão do Livro: Porque a Tribo Recomenda
Blink fala sobre o inconsciente adaptável, uma parte do seu cérebro que toma decisões rápidas, baseadas em uma série de experiências e dados que você possui em seu cérebro.
Imagine a seguinte situação: você está em uma floresta e vê uma árvore caindo em sua direção. Você acha que consegue pensar em todas as opções? É claro que não. O ser-humano não teria nunca sobrevivido por tanto tempo se todas as suas decisões fossem tão lentas quanto as que tomamos usando o racional. O psicólogo Timothy Wilson descreve que “a mente opera com maior eficiência relegando ao inconsciente uma boa parcela do pensamento sofisticado e de alto nível, assim como um moderno jato de passageiros consegue voar com o piloto automático com pouco ou nenhuma intervenção do piloto humano ‘consciente’. O insconsciente adaptável faz um excelente trabalho de avaliar o mundo, alertar a pessoa em caso de perigo, definir metas e inicar a ação de maneira sofisticada e eficiente.”
Pois bem, é deste tipo de decisão que o livro trata. Tanto das decisões que tomamos de forma acertada (por exemplo, quando julgamos alguém competente ou não depois de alguns minutos conversando com ele) como as que tomamos de forma equivocada (por exemplo, quando inconscientemente você associa negro à preguiça e mulher à familia devido aos padrões pré-estabelecidos de sua infância, meio ou mídia). O livro analisa como podemos tirar proveito dessas decisões e como podemos aprender a doutrinar o nosso inconsciente a não ser influenciado por tais padrões, aumentando ainda mais o poder de decisão que temos.
Não confunda isso com qualquer tipo de superstição. Não é. O autor em pouco tempo foi elevado ao status de o mais novo guru no mundo empresarial – pelo fato de apresentadar pesquisas de uma forma tão simples e “palpável” ao público leigo, deixando claro que podemos ganhar muito, seja na empresa ou em casa, com a namorada, se começarmos a ouvir nosso consciente adaptativo com cautela.
O livro começa com uma história incrível, onde diversos especialistas em arte, ao verem o Kouros (uma estátua Grega que estava sendo vendida ao museu Getty), sentiram que era uma falsificação, mas não sabiam porque sabiam disso. Um antigo diretor do museu Getty, Thomas Hoving, ao olhar para a estátua disse que ela era viçosa. E “viçosa” não era o que ele esperava de uma estátua de 2 mil anos de idade. Pediu para que o curador do museu não finalizasse a transação. Depois, uma das maiores especialistas do mundo em escultura grega, Evelyn Harrison, foi levada para ver a estátua e, quando o curador tirou o pano que a cobria, ela teve uma forte sensação que tratava-se de uma falsificação. Não sabia o porquê, mas sentia que a estátua não era verdaderia e também aconselhou que a compra não fosse efetuada. O museu começou a ficar preocupado e decidiu realizar um simpósio especial sobre esse tipo de estátua na Grécia.
Lá, mais avaliações negativas foram feitas. Mas como não havia provas (e não se aceita sensações como parecer), depois de vários meses de testes laboratoriais (testando idade, textura, etc), a estátua foi dada como verdadeira e adquirida pelo museu Getty por 10 milhões de dólares. Como as suspeitas ainda continuavam, mais testes foram realizados mesmo após a compra. Meses mais tarde a ciência finalmente verificou o que os especialistas tinham percebido muito tempo antes mas não sabiam explicar: a estátua era realmente uma falsificação.
O que todos os especialistas fizeram usando o inconsciente adaptativo foi fatiar fino. Sei que você certamente já fez isso. Sempre que sou apresentado para qualquer pessoa, durante os primeiros 5 ou 10 minutos fico observando a forma como ela responde às perguntas, a forma como ela fala comigo e geralmente tenho um grau de acerto bem grande para saber se a pessoa (a) é inteligente, (b) está se sentindo à vontade, (c) é falsa e (d) está interessada em se dar bem comigo e com os outros da mesa.
E para provar o ponto do fatiar fino, o livro conta a história de um psicólogo chamado John Gottman. Por incrível que pareça, ele consegue, depois de uma hora na presença de um casal, dizer com 95% de acerto, se o casal ainda estará junto daqui a 15 anos. Se ele observa o casal por 15 minutos, a taxa de acerto cai para 90% (ainda extremamente alta). E a ciência dele consite em filmar o casal e atribuir um código de emoção (lamentação, tristeza, teimosia, etc – cada emoção possui um peso específico) para cada segundo de interação do casal. É um fatiar fino científico. 10 minutos representam 1200 medições (600 para o marido e 600 para a esposa). Incrível não? Ele estuda há mais de 20 anos casais e continua acertando...
Na verdade achei tão incrível a ciência de fatiar fino ensinada pelo Blink e de quanto podemos ganhar no dia-a-dia se a utilizarmos corretamente que comprei o livro do John Gottmann “The Seven Principles for Making Marriage Work” (Os 7 Princípios para Fazer o Casamendo Dar Certo). A experiência dele, depois de fatiar casais durante esses mais de 20 anos, mostrou duas coisas importantíssimas:
- O desprezo é muito mais crítico em um casal do que a raiva ou a tristeza, pelo simples fato de que, quando você fica triste ou com raiva, você ainda tem esperança e aposta naquela relação. O desprezo mostra que você já está “em outra”.
- Como Gottmann também faz terapia de casal, tentando fazer os dois voltarem “aos eixos”, percebeu (novamente fatiando fino) que com 7 princípios básicos você poderia manter o seu relacionamento sempre em alta. Os que mais gosto são: melhore seus “Mapas do Amor” (ou seja, saiba o que o outro gosta e não gosta); Alimente sua Admiração pelo outro; Deixe seu Parceiro Influenciar Você; Resolva seus Problemas Solucionáveis (se você entende o ponto-de-vista do outro e está disposto a resolver, o problema é solucionável); e Lide com os Problemas Não-Solucionáveis (por exemplo, religiões e crenças diferentes).
Incrível! Mais um livro que provava o uso do inconsciente adaptativo e do fatiar fino a seu serviço. Agora estava certo que Blink realmente estava falando a verdade.
E o fatiar fino pode ser usado em quase todas as situações da vida. As entrevistas são um momento ímpar para se fatiar alguém. Ultimamente, passo os primeiros 5-10 minutos apenas conversando amenidades com o candidato para conseguir mapeá-lo para, então, preparar as perguntas e verificar se o que fatiei dele é correto. Acredite, a qualidade da minha avaliação cresceu abruptamente.
E Blink segue com diversos exemplos e casos incríveis sobre nosso inconsciente adaptativo.
As importantes conclusões do livro, para mim são:
- Como o caso da estátua Kouros provou (e vários outros citados no livro), temos um poder incrível de tomar decisões muito mais rapidamente do que as decisões racionais – às vezes nos falta acreditar nas decisões.
- Se eu (Dr. Zambol) fosse apresentado à estátua, provavelmente não emitiria opinião nenhuma ou iria errar por muito, tendo um sentimento que a estátua era verdadeira. Isso prova que o insconsciente baseia-se em nossas experiências e conhecimentos. Como não sei nada sobre estátuas, meu incosciente estaria navegando no escuro. Ou seja, acredite no seu inconsciente adaptativo somente se você tem conhecimento de causa sobre o assunto, senão, trata-se apenas de um feeling.
- Nosso inconsciente é facilmente enganável por padrões de nosso meio. Mesmo uma pessoa não-rascista e não-machista, como bem fala o livro, pode ser influenciada em uma entrevista, por exemplo, ao avaliar uma mulher ou um negro devido a algumas ligações ocultas em seu inconsciente adaptativo. Tome cuidado, não estamos lidando com o racional. Portanto, mesmo que você não seja rascista (racionalmente) pode ter ligações contrárias em seu cérebro na parte não-racional. Aprenda a lidar com isso. Como bem comenta Malcolm em Blink, uma forma de aprender o que é isso e como você reage é fazer alguns testes IAT (Implicit Association Test). O livro apresenta exemplo de testes que você pode realizar.
- A adrenalina e o taquicardia prejudicarão em muito seu poder de pensamento – qualquer um, o racional e o do inconsciente.
Para mim, Blink é um livro sensacional, muito fácil de ser lido e com lições para serem usadas no dia-a-dia tanto profissional como pessoal. Aconselho a leitura do livro para qualquer pessoa que queira entender mais como o nosso cérebro funciona e aperfeiçoar a sua tomada de decisão, a melhorar o processo de fatiar fino – extrair o máximo de um fato com o mínimo de informação no menor tempo possível.
Boa Leitura!
Dr. Zambol
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Tribo Recomenda
Terça-feira, 29 de Janeiro de 2008
Seja bem-vindo à nossa seção “Tribo Recomenda”, que consiste na revisão dos livros que mais gostamos. Livros que nos fizeram mudar de atitude, mudar de filosofia, melhorar a auto-estima de nossa equipe, desenvolver nossa inteligencia emocional, entender técnicas de gerenciamento ou, no mínimo, nos fizeram ter uma leitura muito agradável durante algumas horas.
Abaixo segue a lista dos nossos favoritos, a cada semana um de nós vai publicar o review de um livro. Mas antes de entrar na lista em si, queremos lembrar que, ao comprar qualquer desses livros na Cultura, através do nossos links, você contribui para a manutenção da Tribo do Mouse.
A Tribo agradece e boa leitura (Jack, Reggie e Zambol).
Autor: Malcolm Gladwell Editora: Rocco | |
Autores: Jack Welch e John A. Byrne Editora: Campus | |
Uma Vida Administrada de outra Forma Autor: Ricardo Semler Editora: Rocco Review do livro Você está Louco? (ainda não publicado) | |
Do Mercado de Massa para o Mercado de Nicho Autor: Chris Anderson Editora: Campus Review do livro A Cauda Longa (ainda não publicado) | |
14 Princípios de Gestão do Maior Fabricante do Mundo Autor: Jeffrey K. Liker Editora: Bookman Review do livro O Modelo Toyota (ainda não publicado) | |
Uma Breve História do Século XXI Autor: Thomas Friedman Editora: Objetiva Review do livro O Mundo é Plano | |
Um Processo de Melhoria Contínua Autores: Eliyahu M. Goldratt e Jeff Cox Editora: Nobel Review do livro A Meta (ainda não publicado) | |
O Lado Oculto e Inesperado de Tudo que nos Afeta Autores: Stephen J. Dubner e Steven D. Levitt Editora: Campus Review do livro Freakonomics (ainda não publicado) | |
Autores: Warren G. Bennis, Gretchen M. Spreitzer e Thomas Cummings Editora: Futura Review do livro O Futuro da Liderança (ainda não publicado) | |
Recordações da Casa dos Mortos Autor: Fiodor Dostoievski Editora: Nova Alexandria Review do livro Recordações da Casa dos Mortos (ainda não publicado) |




